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número final do ano de 2009, procuramos aproveitar alguns
resultados do Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise,
realizado entre 10 e 13 de Novembro próximo passado nas dependências
da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(PUCPR). Por este motivo, não podemos deixar de agradecer
aos incansáveis esforços do nosso Editor, o Prof.
Francisco Verardi Bocca, responsável por essa preciosa colheita.
O que nos rendeu esta safra?
No primeiro artigo, temos uma reflexão coletiva de integrantes
da FIOCRUZ, liderados pelo Dr. Carlos Estellita-Lins, acerca da
clínica do Acompanhamento
Terapêutico (AT) como uma atividade situada entre a Psicanálise
e a Psiquiatria Cuminitária. Esta reflexão procura
enfrentar os desafios do mundo contemporâneo diante da identidade
multifacetada do AT, o que pressuõe uma contínua reflexão
acerca da tecnologia dos cuidados em saúde pública.
Além do Dr. Estellita-Lins, assinam o artigo as pesquisadoras
Verônica Miranda Oliveira, Maria Fernanda Coutinho, e Mariana
Bteshe.
No segundo artigo, a doutoranda
da UFSC, Valéria Ghisi, apresenta-nos uma reflexão
nietzschiana da psicanálise, o que significa o resgate
de uma perspectiva trágica no contexto da modernidade. Trata-se
de problematizar a ideia de um "eu" racional e coerente
na qual se apoia grande parte das ideologias do mundo moderno. Tanto
Nietzsche quanto Freud, segundo a autora, nos apresentaram uma visão
oposta a essa, com um "eu" conflituoso e longe de qualquer
pressuposto unitário e uniformizante, o que nos rende uma
ideia mais profunda do ser humano, capaz de informar com mais proveito
os desafios da clínica do sofrimento psicológico.
O terceiro artigo apresenta-nos
uma crítica de certos abstracionismos da teoria psicanalítica
pela proposta da categoria de instituição,
de Merleau-Ponty. Seu autor é o Professor Thamy Ayouch. Em
A
Instituição entre a Fenomenologia e a Psicanálise,
Ayouch nos conduz pelas semelhanças e diferenças do
pensamento de Merleau-Ponty com a psicanálise, e aponta caminhos
de solução para impasses na questão gênero
e da lei simbólica.
O quarto artigo é uma
reflexão centrada no pensamento final de Foucault sobre
o
sujeito hermenêutico. Alexandre Sech Júnior
expõe as questões dos dispositivos de poder e da prática
de confissão características da sociedade atual no
interior do contexto em que esses temas se desenvolvem, e alinhava
seu argumento através dos últimos textos do autor.
Trata-se de uma boa introdução à leitura e
de um convite ao pensamento de Foucault.
O quinto artigo, do Professor
Daniel Omar Pérez, ilumina os pressupostos
kantianos na ética do desejo de Lacan. Além de
nos brindar uma exposição clara de um tema normalmente
tão difícil quanto a filosofia moral de Kant, o Professor
Pérez utiliza esse esclarecimento para uma oportuna e urgente
discussão do tema da ética do desejo nos comentários
de Lacan ao Marquês de Sade. Esse precioso texto é
a reflexão de uma kantiano de formação na discussão
da ética do desejo de Lacan, o que, sem trocadilhos de mau
gosto, sempre faz falta nas hostes lacanianas.
Por último, encontramos
a resenha de Gleisson Roberto Schmidt à publicação
de Lynn Gamwell & Mark Solms: Da
Neurologia à Psicanálise. A tradução
em português de 2008, sempre necessária, explica-nos
a base e a continuidade da neurologia na psicanálise dentro
do pensamento de Freud.
Desejamos uma leitura proveitosa
dos frutos dessa safra e, como sempre, agradecemos aos colaboradores
que são a alma da nossa revista.
João José R.
L. Almeida
(FCA-UNICAMP)
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